Opinião
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Não existe maior horror do que a guerra, não há nada mais estúpido – isto é um fato incontestável. Porém, ao lado desse fato caminha uma verdade igualmente incontestável, já que a guerra faz parte de nossa índole humana e compõe uma característica intrínseca da nossa espécie; se é a medida de nossa barbárie, apenas comprova o quão bárbaros somos hoje e sempre fomos durante toda a nossa história.

Nesse contexto, a guerra na Ucrânia entre Rússia e Estados Unidos nada mais é do que uma expressão humana em uma de suas facetas mais terríveis, como são todas as guerras. Porém, podia ser pior (e muito possivelmente ainda venha a ser).

Ao analisar o momento em que esse conflito tece seu estopim, cerca de dois meses atrás, uma análise calculista demonstra o brilhantismo da aliança informal sino-russa em determinar esse momento para dar início a um conflito que, no longo prazo, seria inevitável, pois quem propõe ou parte para a guerra sempre persegue o objetivo único que é o triunfo. Desse modo, em um mundo combalido pela pandemia do novo Coronavírus, que busca se estabilizar e retomar sua atividade econômica, porém ainda frágil em seus alicerces e cheio de incertezas, não poderia oferecer melhor oportunidade para o início dessa guerra, mas não apenas da guerra na Ucrânia, e sim do conflito mundial que engaja todas as nações.

O que seria do mundo hoje sem essa guerra?

O que observamos no cenário internacional durante toda pandemia, especialmente no lado ocidental do globo em que vivemos, foi uma busca desesperada para manter as coisas como elas sempre foram. As políticas e os anseios governamentais se focaram em retomar o estado das coisas que, em primeira instância, foi o que nos levou à pandemia. O negacionismo imperou em uma desesperada tentativa de manter a atividade econômica nos mesmos padrões anteriores à pandemia, e quando ela começou a arrefecer, as pessoas retornaram às suas vidas “normais” como se apenas uma intempérie qualquer houvesse passado. Nesse sentido, a guerra na Ucrânia nos impede de retornar àquela normalidade que nunca foi normal, exceto, talvez, para aqueles que lucravam e querem continuar lucrando com ela.

Os problemas globais, como a fome, a miséria, a ecologia e a questão climática nunca foram prioridades em nosso mundo pré-pandemia, e a própria pandemia foi resultado dessa política. Após a pandemia e a retomada da “normalidade”, essas questões que afligem a humanidade continuam em segundo plano, afinal, isso faz parte de tal “normalidade”. Invariavelmente, tais questões, aliadas do esgotamento de nossos recursos naturais, teriam de, por bem ou por mal, ser adereçadas e solucionadas, pois a falta de solução nos levaria à guerra. A guerra na Ucrânia e o conflito mundial que dela se desenha nada mais representam do que a guerra que, cedo ou tarde, teríamos de travar.

Está claro, hoje, que as megacorporações transnacionais e as cadeias de investimento da Bolsa de Valores são os verdadeiros detentores do poder, os governos apenas agem em prol da manutenção de seus interesses, pois não detém mais a força popular para reverter ou cessar a sanha pelo lucro que essas corporações buscam. Mais uma vez, a pandemia deixou isso bastante claro, pois enquanto as pessoas se contaminavam nas ruas e morriam nos hospitais, a preocupação maior dos políticos era “flexibilizar” as medidas de contenção. Nesse mundo negacionista, é mais fácil citar as exceções, pois a regra era submeter o povo à morte em prol da economia. Uma dessas exceções é a China, que tratou a pandemia como um ato de guerra e teve ótimos resultados em conter a disseminação da doença.

Em contraposição à China, temos os Estados Unidos, o grande líder do negacionismo mundial durante a pandemia, país recordista de óbitos em seu decorrer e a grande bandeira capitalista mundial, atualmente em sua faceta neoliberal. Observa-se aqui, que não é a toa tal antagonismo materializar-se em um conflito que sobrepõe as nações, pois trata-se de um conflito de ideias.

No passado, a Guerra Fria também constituiu um conflito de ideias, de um lado os Estados Unidos bandeirava em prol do livre mercado, do capitalismo; do outro, a União Soviética, cuja ideia de gerir a sociedade abdicava desse livre mercado. Hoje, no conflito entre Estados Unidos e China, com o braço russo em ação na Ucrânia, colidem o negacionismo e a realidade. Nesse sentido, a real politic dos russos é uma luta contra o negacionismo norte-americano.

Enquanto se especulava a respeito de uma guerra entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria, ela nunca viria a acontecer – e muitos cientistas políticos têm como certeza de que esse conflito não aconteceu devido ao fato de ambas as nações possuírem arsenais nucleares; caso contrário, a guerra que se inicia este ano talvez já tivesse acontecido algumas décadas atrás. O colapso da União Soviética parecia colocar um fim nessa possibilidade, mas a ausência da Rússia no jogo político internacional só fez imperar o negacionismo norte-americano até que ele mostrasse sua faceta mais podre durante a pandemia do novo Coronavírus.

Do negacionismo norte-americano nós já sabemos o que esperar, nós já sabemos que não será através da negação de nossos problemas que os mesmos serão solucionados. Já são mais de cinquenta anos de negação dos problemas que citamos acima: a fome, a miséria, a ecologia e o aquecimento global. Cinquenta anos em que a lógica capitalista nos impede de adereçá-los com a devida propriedade. Afinal, para resolver esses problemas, talvez tenhamos que retomar os patamares de consumo como os da antiga União Soviética. Mas quem quer retomar aquele patamar se tudo que se fez até aqui foi tentar destruí-lo? Isso não irá acontecer, não por bem, muito menos por bom senso. Nesse aspecto, a guerra dos homens de hoje é a batalha do clima de amanhã, e não dá mais para negar. Achar que essa guerra não deveria ou não iria acontecer é apenas mais uma expressão negacionista que contamina nossas faculdades.

Porém, alguém indagará: “Se esta guerra é um combate ao negacionismo capitalista e sua lógica consumista, como a China representa uma ideia contrária a isso se é um país igualmente capitalista e consumista?”.

A resposta é apenas conjuntural, pois se baliza em uma liderança que se provou capaz de confrontar o negacionismo ocidental na atualidade, porém jamais saberemos se esta resposta será contínua. Mas, se de um lado nós já sabemos que nada podemos esperar, fica a esperança de que o outro lado agirá de outra forma – e se não dermos uma chance a ele, jamais saberemos se iria ou não dar certo. E, ao menos até aqui, esse lado, a liderança chinesa e a real politic russa, já deu algumas provas de sua capacidade e vontade de reverter esse quadro negacionista. Como o outro lado não cederá pela política tradicional, será por sua extensão bélica que as coisas se resolverão, não há como fugir disso. Esta é uma das facetas do negacionismo que está sendo combatida nessa guerra.

Aliás, também não estaria no fato de os Estados Unidos negarem ao mundo oriental sua participação na liderança política das nações uma das expressões desse negacionismo? De um negacionismo que não aceita outras ideias além da sua própria? O unilateralismo norte-americano representa o negacionismo pela não aceitação do mundo globalizado e sua inerente multipolaridade. É um negacionismo consciente e covarde como de um macho-alfa que não aceita outro macho-alfa em seu bando; daquele lidera o bullying e não permite ser confrontado.

Negar a guerra hoje é a certeza do conflito amanhã, assim como sempre foi uma certeza de que Estados Unidos e União Soviética se defrontariam e a guerra na Ucrânia é a contraprova dessa inevitabilidade. E não seria o adiamento do inevitável apenas mais uma forma de negacionismo? Portanto, a guerra atual pontua o início do fim desse negacionismo, uma vez que os negacionistas sejam derrotados. Adiar o conflito nada mais representaria do que relevar às próximas gerações a sua disputa. Não guerrear significa uma derrota maior, mais longa e a procrastinação de nossas dores, pois os problemas que afligem a humanidade tendem a se intensificar cada vez mais em volume e velocidade.

O preço do combustível, da energia e do alimento que hoje se inflaciona em função da guerra na Ucrânia é o preço que se inflacionará no futuro se a paz mantida for a paz negacionista. Da paz que se ilude com um eterno crescimento econômico, mas cujos recursos naturais jamais sustentarão para sempre. Paz é sinônimo de negacionismo.

Uma guerra no futuro, quando os nossos problemas se intensificarem, seria muito mais violenta e cruel do que na atualidade, até porque vivemos em mundo que não cessa sua prostituição ao que de pior deriva da guerra, que é o contínuo preparo para seu implemento: uma incessante corrida armamentista cujo fim é a atualização de seu potencial cada vez mais destrutivo em um holocausto bélico. E que covardia nossa deixar para nossos filhos a guerra oriunda dos problemas que nós nos provamos incapazes de resolver.

Nós falhamos em nossa tentativa de criar um mundo mais sereno e inclusivo em meio a paz e pelo exercício do bom senso, mas não podemos mais adiar, assim só a guerra nos levará ao ponto em que nossos problemas possam ser solucionados. E é por isso que eu agradeço à Rússia pela guerra, pois ela cobra de nós aquilo que sempre negamos.

 

Escrito por Pedroom Lanne

 

O município de Iguatu está parado no tempo, mas parece que o prefeito não gosta que digam essa verdade, bem, pelo menos se considerarmos que ele ainda dê ouvidos a população.

No mundo da propaganda da atual gestão municipal Iguatu é a tal da “Capital do Centro-sul”, uma ilusão barata, mas que sai caro pelo tanto de gente que é paga para repetir a mentira tentando fazer parecer verdade.

A realidade é que Iguatu é uma grande cidade pequena!

Sem geração de emprego, o grosso do dinheiro que circula pela cidade vem da renda de aposentados e das pessoas que recebem renda dos programas do Governo Federal como o antigo Bolsa Família.

O comércio funcionando de modo capenga se mantém de mercantis, lojas de roupas e variedades, só miudezas.

A única geração real de emprego são os projetos de lei que o prefeito envia para a “Câmara Municipal” criando mais cargos comissionados e inchando mais e mais uma máquina pública ineficiente.

Infelizmente, a grande maioria dos vereadores só sabem dizer amém e bater palmas, garantindo seus próprios benefícios. Na realidade, parafraseando o vereador Rômulo Fernandes (PSD) eles que são os “gulosos”.

Enquanto isso só de cargos comissionados e contratados a prefeitura emprega mais que 3 (três) fábricas da Dakota.

Essa brincadeira com o dinheiro público é para tentar fazer a primeira-dama e presidente da Câmara de vereadores uma deputada federal. A fome e a ânsia pelo poder faz com que Ednaldo Lavor (PSD) esqueça que recebeu o voto de quase 30 mil iguatuenses o que representa, inclusive, metade do eleitorado votante no município.

O segundo mandato de Ednaldo e essa pré-campanha em prol de sua esposa tem saído caro para Iguatu, que fica sem prefeito, que vive em viagens de caráter eleitoreiro para realizar acordos por aí e a cidade continua abandonada e parada no tempo.

Será que um dia a gente vai sair dessa?

Como dizia o saudoso Dr. Edson Gouveia: dolorosa interrogação...

Vocês têm alguma esperança? Ou ainda estão vivendo no conto do BEM?

Iguatu, apatia administrativa, abandono e decepção eleitoral, uma crônica do caos
Samuel Alves é Advogado (OAB/CE 31.397) e  ex-candidato a prefeito pelo município de Iguatu/Ceará em 2020

 

Facebook/samuelalvesiguatu

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No texto anterior - União? -, eu enfatizei a questão dos organismos internacionais, tendo no topo a Organização das Nacões Unidas (ONU), e sua escancarada submissão à agenda de Washington DC no ocidente.

Na guerra, essa submissão torna-se evidente, especialmente agora na Ucrânia. Os interesses sobre o controle da energia global estão por trás desse conflito, que começa quando os Estados Unidos tentam assumir os bastidores políticos ucranianos para expandir ainda mais esse controle e, assim, manter sua hegemonia global, em detrimento de uma nação emergente, que se sustenta pela exportação de commodities, a Rússia (nisso, Brasil e Rússia são bem parecidos).

Pois bem, quantas vezes nós dissemos que por trás de todas as guerras atuais, mesmo aquelas sem participação direta dos Estados Unidos, se escondiam os interesses norte-americanos?

Mais uma vez, isso se repete na Ucrânia. E depois de três décadas de avanço da OTAN em direção à Rússia, agora que a guerra estourou, os Estados Unidos fogem da luta e deixam os ucranianos à própria mercê, apenas fornecendo armas para que enfrentem um inimigo que não podem vencer, transformando um presidente-ator em uma espécie de Capitão América que propagandeia a guerra e fomenta um discurso alinhado a Washington, sem se importar com as vidas perdidas de seus conterrâneos.

Em paralelo, os organismos internacionais do ocidente aprovam um pacote monstruoso de sanções, imaginando que isso irá frear os russos.

Mas se nós sempre observamos as ações mascaradas dos Estados Unidos por trás de cada guerra ou golpe de Estado mais recentes (como no Brasil, em 2016), por que com a Rússia seria tão diferente? Como não sabemos se há mais interesses por trás das ações de Wladimir Putin, muito além dos interesses da própria Rússia?

Isso nos leva a pensar que sim, que há outro ator nessa história. Um ator que se esconde atrás das cortinas, cauteloso, que age em silêncio e calcula cada um de seus passos como em um jogo de xadrez, sempre pensando com movimentos muito a frente do que podemos enxergar. Esse ator é a China.

Nesse xadrez, Putin já sabia que as negociações em torno das suas linhas vermelhas não avançariam, portanto se preparou para a última rodada diplomática em torno das questões envolvendo a Ucrânia já com seu plano de dissuasão pela força preparado - e não havia mais como recuar. Porém, suas ações se balizam na chamada “Doutrina Putin”, que nada mais é do que uma doutrina sino-russa.

O fracasso óbvio das últimas rodadas diplomáticas do ocidente mostrou que Putin não estava blefando, assim, ele avançou para luta armada, sabedor de que as sanções contra seu país seriam as mais pesadas jamais vistas.

Mas aí entra a China, cujo papel nessa disputa está em sua força econômica, refreando a sanha do ocidente em transformar a Rússia em uma nação pobre e totalmente isolada do resto do mundo, buscando também no campo diplomático impedir que isso se estabeleça e contrabalanceando essas sanções para impedir que o Ocidente se beneficie delas, como vem anunciando o presidente norte-americano, Joe Biden.

Aí chegamos ao ponto da virada

O papel da Rússia não é guerrear contra a OTAN, a Europa e/ou os Estados Unidos ou demais países do ocidente. Não é para combater o neonazismo, nem controlar as jazidas de gás natural ucranianas, muito menos tomar o controle do país, garantir o acesso ao Mar Negro ou manter o fluxo do rio Dniepre. Essa guerra visa trazer instabilidade para um Ocidente cujas lideranças se mostram extremamente frágeis e ainda presas a velhas doutrinas que remetem ao tempo da Guerra Fria - basta analisar os discursos de Biden, que tenta dividir o mundo em “nós contra ele (Putin)”. A Rússia está impondo ao Ocidente a mesma lição que os Estados Unidos impuseram à Europa na Guerra do Kosovo, ocasião em que Bill Clinton aproveitou o vacilo dos líderes europeus em lidar com a limpeza étnica promovida pela Sérvia contra a população albanesa, visando desestabilizar a União Europeia.

Essa instabilidade decorrente do conflito na Ucrânia afetará a economia global em um momento no qual a fragilidade nas relações internacionais ainda busca fôlego para se recuperar da pandemia do novo Coronavírus. Além de afetar a Rússia e o mundo inteiro, essa instabilidade também afetará a China.

Aí vem a pergunta: o que a China teria a lucrar com isso, e como ela lidaria com a crise mundial do ocidente?

Da mesma forma como ela conseguiu controlar a pandemia em seu país: pela força de seu governo e pela capacidade inigualável de mobilização de seu povo.

Percebem? Enquanto as democracias elegem líderes risíveis, os tais “outsiders” da política, títeres de interesses que não coincidem com o de seus próprios povos, o Oriente se reúne em torno de lideranças fortes e capazes de desempenhar o xadrez geopolítico com uma visão e objetivos muito além de apenas manter o mercado financeiro intacto e de alimentar políticas neoliberais que estão a beira de seu esgotamento.

Não são os mísseis russos que vencerão essa disputa, e sim o labor chinês

Enquanto o ocidente fica perdido em suas ações, sem saber como lidar com a crise, da mesma forma como não conseguiu conter a pandemia, o Oriente se fortalecerá por suas capacidades as quais testemunhamos durante a mesma.

O desastre no ocidente é inevitável, e a medida que as nações se virem tragadas por uma crise cada vez mais intensa, elas começarão a olhar para o Oriente como a saída para resolução de seus problemas.

A crise que se seguirá às sanções contra a Rússia, e a ameaça bélica na Europa são apenas o primeiro e o segundo movimento desse xadrez geopolítico, mas serão os próximos movimentos que realinharão a nova ordem mundial pela liderança da China em parceria com a Rússia.

Quando o ocidente acordar, a nova Roma não será mais Washington, muito menos Moscou, será Pequim. Até percebermos isso, sofreremos as consequências de não termos aceitado pela paz e pela diplomacia aquilo que sempre foi inevitável.

Os negócios da China, enfim, serão os negócios do mundo. E aquela que sempre foi a maior civilização humana, será o centro não só do hemisfério oriental, mas do globo inteiro.

 

Escrito por Pedroom Lanne

 

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União?

 

A gente sempre dizia que esses organismos internacionais, a começar pela Organização das Nações Unidas (ONU), mas passando pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Mundial do Comércio (OMC), Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e outros, especialmente a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), eram organizações completamente dominadas pelos Estados Unidos.

Agora que a Rússia é classificada como uma nação pária e vem sofrendo pesadas sanções ratificadas por esses organismos, tem se escutado que a agressão russa à Ucrânia serviu para unir as nações e justificar a existência desses acrônimos internacionais.

Pura balela, né? O que está escancarado nessa suposta "união" que os meios veiculam é justo aquilo que já sabíamos, que esses organismos são todos, de fato, controlados pelos Estados Unidos. Não passam de braços que sancionam o imperialismo yankee.

Minha decepção é a União Europeia (UE), que deveria possuir uma certa autonomia, mas igualmente tem se provado como uma organização submissa aos interesses do imperialismo, os quais coincidem com alguns de seus próprios; mas, em contrapartida, tem se provado capaz de contrariar alguns deles em prol da agenda estadunidense. O cancelamento do gasoduto russo-germânico Nord Stream 2 ilustra bem isso.

Esse unilateralismo desses organismos fechou os olhos para o avanço da OTAN que colocou suas forças armadas cada vez mais próximas dos russos, até enfim chegar ao ponto que os Estados Unidos queriam: uma guerra contra a Rússia na Europa.

De todos esses organismos, apenas o Conselho de Segurança da ONU possui alguma autonomia, mas limitada as cinco nações que possuem direito a veto (EUA, UK, França, Rússia e China), o que as permite guerrear com quem quiserem. Na prática quatro, assumindo que a Inglaterra segue fielmente a liderança dos EUA.

Nesse cenário unipolar, falar em “união” não passa de mais uma grande falácia, pois reflete apenas isso: como esses organismos são liderados pelos interesses unilaterais dos Estados Unidos.

Isso não é união, é submissão.

 

Escrito por Pedroom Lanne 

 

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No primeiro dia da operação militar especial da Rússia na Ucrânia, o presidente, Vladimir Putin, disse que a intervenção de potências estrangeiras pode levar a “consequências sem precedentes na história”. Agora seu ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, fez previsões terríveis sobre uma possível escalada do conflito de guerra nuclear.

Segundo ele, “a Terceira Guerra Mundial será nuclear e muito destrutiva.”

Exercícios nuclear russo

Lavrov durante reunião da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou que a Ucrânia está criando milícias armadas com presidiários que atacam mulheres e crianças. “Assassinatos e estupros estão acontecendo a luz do dia, muitos postados nas redes sociais”. Para o representante russo na ONU o próprio povo ucraniano não quer mais essa guerra e muitos estão se entregando aos soldados russos. “não permitiremos que a Ucrânia adquira armas, principalmente as nucleares”.

Previsão de Nostradamus e medo de Guerra Nuclear paralisa países perante conflito da Rússia e Ucrânia
Estados Unidos, União Europeia, Otan e ONU, se manifestam contra a Rússia com cuidado e não se movimentaram em nada para defender a Ucrânia e muito menos dialogar um cessar-fogo com a Rússia

 

Apesar da declaração do ministro, não há evidências de que os ucranianos estejam planejando adquirir tais armas nuclear. Na década de 1990, após o colapso da União Soviética, a Ucrânia decidiu abrir mão das armas nucleares que permaneciam em seu território em troca de segurança e reconhecimento como estado independente.

No fim de semana, o presidente Vladimir Putin, ordenou que as armas nucleares fossem colocadas em alerta máximo. As Forças Armadas russas iniciaram seus exercícios com submarinos nucleares e lançadores de mísseis terrestres em território russa, longe do campo de batalha ucraniano.

Lavrov também disse em seu discurso que a Rússia está pronta para entrar na segunda rodada de negociações visando alcançar a paz na Ucrânia, mas acusou Kiev de deliberadamente de paralisar o processo a pedido dos Estados Unidos. Sua declaração veio depois que o presidente dos EUA, Joe Biden, chamou Putin de “ditador russo” e disse que ele estava “mais isolado do que nunca” por causa das sanções ocidentais.

Nostradamus previu uma guerra nuclear

Previsão de Nostradamus e medo de Guerra Nuclear paralisa países perante conflito da Rússia e Ucrânia
O astrólogo, médico e vidente francês, Michel de Nostradamus, morreu em 02 de julho de 1566, aos 62 anos de idade em Salon-de-Provence, França. Desde de sua morte, as previsões dele tem antecipado tragédias em pleno século XXI

 

Até o desfecho trágico das tensões entre a Rússia e a Ucrânia, o mundo ainda está na balança, esperando que a guerra não comece. No entanto, os ataques começaram no dia 24/02, com consequências trágicas para todos. Nas notícias sobre a invasão, veio a tona as previsões do astrólogo e profeta francês Nostradamus sobre um conflito na Europa que seria o início da Terceira Guerra Mundial que terminaria com o planeta em chamas.

Em 1555, Michel de Nostradamus escreveu sua profecia mais famosa, reunida no livro “Profecia”, que detalha eventos hipotéticos no futuro. Mas a interpretação de seus textos proféticos é sempre controversa, mas acontecem e sua interpretação já profetizou vários acontecimentos como: as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, a ascensão do genocida Adolf Hitler e dos ataques às Torres Gêmeas nos Estados Unidos.

Durante séculos, sempre que uma guerra começava, alguém se apresentava e dizia que Nostradamus a havia antecipado. Agora, não pode ser diferente. Quando um astrólogo fala das cidades invadidas da Europa e do resultado da beligerância, ele prevê eventos recentes.

A profecia

Diz-se que Nostradamus disse em seu livro: "A cabeça azul fará tanto mal à cabeça branca, como a França é boa para ambos" e "ao redor das grandes cidades, haverá soldados estacionados nos campos e nos subúrbios". São essas passagens que são apontadas em relação ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia (curiosamente, nenhum país é mencionado na passagem). Embora o vidente também seja creditado por prever a Terceira Guerra Mundial, seu estilo de escrita não aponta a data exata do evento.

 

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Em cartaz na Netflix, o documentário "Prohibition" contextualiza o movimento político norte-americano que culminou na famosa "Lei Seca" no inicio do século XX.

É mais um documentário da dupla Ken Burns e Lynn Novick, os mesmos que dirigiram a série documental "The Vietnam War" que retrata o cenário mais amplo estadunidense, o qual derivou na proibição da produção e da comercialização de bebidas alcoólicas em todo o país.

O mais interessante desse documentário é demonstrar como a Lei Seca foi resultado de um longo movimento, que perdurou por décadas até que, aos poucos, de um ou outro Estado que adotou a proibição, o país inteiro aderiu à Lei Seca, formalizando-a através de uma emenda constitucional.

Todavia, talvez o mais enigmático para nós brasileiros seja a semelhança do movimento que redundou na Lei Seca com o quadro atual do país após a eleição de Jair Bolsonaro como presidente do país. Nos EUA, acreditava-se que todos os males do país: a violência, o desemprego, a falta de empreendedorismo, a vadiagem, até a corrupção seriam frutos do consumo de álcool. Uma vez que se proibisse a distribuição e o consumo de bebidas, o país iria dar um salto e tomar a liderança do desenvolvimento global, inclusive como uma nação modelo, onde a moral e a liberdade caminhariam juntas e seriam exemplos para outras nações.

Um sentimento ou ideal muito semelhante ao que se passa no Brasil atualmente, quando muito se acredita que todos os males do país sejam fruto da "mentalidade esquerdista" criada durante os 14 anos de liderança do Partido dos Trabalhadores na presidência do país. Cá, como lá, acredita-se que, uma vez que o PT seja extinto e se revogue todas as políticas consideradas "esquerdistas" ou "comunistas", o país terá um grande desenvolvimento e, enfim, será uma nação mais justa e igualitária para todos.

Em comum, o vitimismo de ambos países em seu devido contexto, uns culpando a bebida, outros culpando o PT. Mas o resultado da proibição das bebidas foi o nascimento de uma nação hipócrita, onde burlar a lei se tornou parte do cotidiano. Algo não muito diferente do cenário brasileiro, quando o pseudo-combate à corrupção se tornou desculpa para tudo, inclusive para revalidar antigos discursos da Guerra Fria e fortalecer plataformas que se provam tão ou mais corruptas do que a corrupção que quer combater, que faz da hipocrisia uma manifestação comum dos cidadãos que apoiam esse discurso.

Assim como a Lei Seca se provou um "mito" nos EUA, fracassando de forma retumbante, não a toa o brasileiro elegeu um líder considerado "mito", que prefere atribuir os problemas da nação a um segmento específico de pessoas ou a um conjunto de ideais, ao invés de perceber que esses males são intrínsecos de uma criatura chamada homem.

 

Escrito por Pedroom Lanne