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Foram estes versos que cantados por Zé Ramalho que vieram a mente quando no sábado à tarde, na companhia do Sr. Marcilio Carlos, presidente municipal do partido dos trabalhadores, buscamos uma conversa com o Vereador e também radialista João Inácio.

- Todos no Iguatu sabem que o delegado tem pavio curto.

Pavio curto..., fiquei a sorrir lembrando o poeta, está expressão tão nordestina como outras tipo: Sangue quente, sintiteza, revolta, inteligência, argúcia, cabra-macho como uma pitada de loucura, o raio da selibrina.

O motivo da nossa visita, e da afirmação do João Inácio, foi uma cena que presenciei, na quinta feita à tarde no cruzamento da Boulevar João Pessoa com a rua Monsenhor Coelho. Estava eu, digitando minha crônica semanal na Lan House ali Localizada quando me chegou aos ouvidos vozes alteradas:

- Eu sou o Delegado!
- Eu to Trabalhando, Doutor!

Sai para a calçada para ver o que estava acontecendo. Na área externa da Delegacia o repórter fotográfico Vicente Araújo, estava em pé, o braço direito levantado ao extremo, e lá no alto, em sua mão uma câmera fotográfica que ele tentava proteger do Delegado, que agarrado com ambas as mãos ao braço do Jornalista, tentava alcançar a câmera, sentido a impossibilidade do feito, começou uma sequência de chutes, uns quatro ou cinco, os famosos rasteiros, na tentativa de derrubar o repórter, não conseguindo êxito. Decide então agarrar o jornalista pela cintura e puxá-lo para o interior da delegacia, onde entram os dois em atropelo.

Volto ao computado onde continuo o meu trabalho de digitação. Quando sou procurado pela Sra. Marcela Bezerra Corretora de seguros:

- Você viu Braga, o que aconteceu?
- Vi.
- Mas, eu gritei! Doutor o senhor ta deixando o bandido sair com o Advogado e está prendendo quem está trabalhando, este rapaz é repórter profissional
- Mais, o que deu motivo a isto?
- O Dr. Ronald Bezerra, apresentou agora na Delegacia, o maqueiro do hospital regional suspeito de ter batido no Val. O Vicente estava dando cobertura ao fato, quando foi surpreendido com esta reação do Delegado.

Minutos depois ao terminar a digitação atravesso a rua e entro nas dependências do Jornal Agora onde me encontro com o Jornalista Val Lima.

- Val, isto que aconteceu agora é de uma gravidade maior do que aconteceu contigo. Pois lá, era jagunço tocaiando cidadão, em porta de trabalho, e isto é a coisa mais velha do mundo. Aqui não! O que nós presenciamos agora, foi um Delegado, uma autoridade policial paga pelo estado para nos defender, e a vítima mais uma vez, foi a imprensa, que eles tentam calar.

Na sexta feira, nem o café com notícias, nem a hora da verdade, fizeram a menor referência ao acontecido. No sábado folheei, li e reli os semanários, nada, nem uma única linha a respeito do fato. Foi neste cenário que liguei para o Presidente do PT Marcílio Carlos, onde resolvemos procurar o jornalista Vicente Araújo, decidimos antes buscar o radialista João Inácio, para nos orientar onde localizar o Vicente. Na conversa com João Inácio, deixou claro, que o Vicente Araújo decidiu dar por encerrado o caso. Que já o havia procurado, que este o havia afirmado que o Delegado já o tinha pedido desculpas, que realmente tinha se precipitado ao não atender o pedido do Delegado Agenor, para que lhe entregasse a câmera. Que todos no Iguatu sabiam que o Delegado tem o pavio curto.

- Mas eu vi, eu presenciei o fato, foi na área externa da Delegacia, em uma tarde de Sol claro.

Neste instante o Sr. Marcilio Carlos afirma:

- Mas a principal vítima decidiu encerrar o assunto, ele vai negar!
- Mas eu vou escrever.
- Tu vai ser chamado de mentiroso, macho!

No meu ouvido o Capitão Rodrigo Cambará repetia desiludido (O Tempo e o Vento) um homem não briga debalde. Lembrei a Viralouca, despedindo–se do seus leitores a bem pouco tempo, por motivos mais felizes. Agora quem me fala é Sabino Gomes, no cerco a cajazeiras no ano de 1926(Carcará), se o Delegado é meio doido, eu sou doido e meio.

Como a intenção da coluna não é esta, a começar pelo seu título Legítimo, e sim defender o meu povo do sistema imposto há muito. Escrevo o prometido a mim mesmo. Mais já afirmando de agora:

- Eu não vi, o que vi, não vi!

Ainda sob a inspiração da musa:

Dei um murro, nas ventas de um mal poeta

Que a cabeça voou, fez piruetas

Passando por todos os planetas,

Foi parar num reinado de um profeta

Disse um santo que viu ficou pateta,

A cabeça do cabra estava um facho!

Uma alma gritou: “Ô velho macho!”

São Pedro falou: “O que é isto?”

Disse um anjo que estava junto à Cristo:

“É Neto Braga zangado lá embaixo!”

Tenho Dito.

Cícero Correia Lima [Neto Braga]

Fonte: Blog Legítimo de Braga


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