Ailton Krenak diz a Carta que missão do capitalismo é se livrar da metade da população do planeta

Ailton Krenak diz a Carta que missão do capitalismo é se livrar da metade da população do planeta

O escritor Ailton Krenak finalista do Prêmio Jabuti com seu livro Ideias para Adiar o Fim do Mundo, também lançou A Vida Não É Útil e O Amanhã Não Está à Venda, todos pela Companhia das Letras em entrevista para a revista Carta Capital, destacou os passos da destruição da vida para dar lugar exclusivo para os privilegiados, a agenda do capitalismo no planeta terra já está atuando nisso.

Desde a chegada da pandemia do coronavírus (Covid-19), Krenak está em uma quarentena na terra indígena de sua etnia, a 200 quilômetros de Belo Horizonte (MG), estão seguindo um regime orientado por um protocolo comunitário que mantem as famílias próximas e podem se encontrar no quintal para comer juntas.

Ele destaca que as pessoas esquecem dos efeitos da pandemia, "A morte deixa um trauma tão mal resolvido que ninguém consegue sair ileso. Há perda de identidade, de memória e acomodação em uma condição de sobrevivente. Isso não é bom para uma comunidade que precisa administrar suas necessidades materiais. Voltar a trabalhar, voltar a cuidar da rotina doméstica. Muitos não conseguirão. E isso é muito ruim. Estamos vivendo um tempo no qual ser otimista é falta de educação. É sinônimo de estar alheio ao sofrimento dos outros."

Quando perguntado se no Brasil ainda é possivel firmar consensos ele lembra que no Brasil existe em uma situação desgraçada, que mistura pandemia a uma miséria política. "Fora do Brasil, ao menos, há esperança de abrir outros debates acerca das desigualdades que a pandemia agravou, as mudanças climáticas, os refugiados… Essa é uma questão muito importante até para entender a pandemia. Essa movimentação de gente, atravessando fronteiras no mundo inteiro, pode ser um vetor de novas pandemias que podem arrasar a gente."

"A desigualdade deixa fora da proteção social 70% das pessoas. E, no futuro, não precisará delas sequer como força de trabalho", disse.

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